Curitiba, novembro de 2020 – Quase vinte dias no escuro, comércio funcionando com dificuldades, alimentos apodrecendo em casas e mercados, e dificuldades para conseguir água potável e medicamentos. Esse é o resultado do apagão, que tem causado muito sofrimento a milhares de cidadãos no Amapá. Esta realidade retrata a fragilidade existente, porém que vem sendo mitigada, em muitos estados. A sociedade precisa, cada vez mais, de energia barata, sustentável e confiável.

A situação no Estado do Amapá é dramática e reforça a importância da implementação de novas Linhas de Transmissão e subestações confiáveis, modernas e que permitam que situações como essa não se tornem constantes e recorrente em diversos outros estados brasileiros. O setor elétrico geralmente só recebe atenção, quando a energia falha. Somente em 2020, em plena pandemia da covid-19, diversos outros estados vivenciaram apagões, como Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Mato Grosso, São Paulo, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul, além de Roraima, que está prestes a passar pelos mesmos problemas que estão ocorrendo no Amapá.

O Senador Mecias de Jesus fez um pronunciamento dramático nesta semana. Segundo ele, Roraima, assim como o Amapá, tem o abastecimento de energia feito por termelétricas de forma isolada do Sistema Interligado Nacional – SIN colocando em risco a estabilidade do sistema. Isso porque ela está mais sujeita a intempéries e paralizações, como o incêndio que ocasionou o “apagão” no outro estado nortista. “Eu, junto com a bancada de Roraima, tenho lutado para que seja liberada a obra da Linha de Tucuruí de Manaus a Boa Vista, mas ‘forças ocultas’ têm travado o começo das obras, o que prejudica tanto a população quanto o próprio desenvolvimento do Estado”, disse Mecias.

O senador disse não entender como alguns órgãos do próprio governo federal, organizações não-governamentais, Ministério Público Federal e lideranças indígenas são contra o projeto da Linha de Transmissão de Tucuruí, uma vez que a interligação de Roraima ao SIN será benéfica para todos.

No Sul do País, o Paraná também está prestes a enfrentar muitas dificuldades.  A carência energética já pôde ser percebida na região ao longo dos últimos anos, principalmente no setor de agronegócio e industrial, que têm sofrido grandes oscilações e prejuízos.

Em 2016 estudos do Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS já apresentavam preocupação com o estado, identificando que, a partir de 2018, já faltaria energia para suportar todas as necessidades dos setores econômicos e sociais. Buscando a resolução do problema, foi realizado em 2017 um leilão pela Agência Nacional de Energia Elétrica – Aneel, com o objetivo de desenvolver um grande projeto voltando a garantir a necessidade energética do SIN e do próprio Paraná.

A vencedora do leilão foi a ENGIE Brasil Energia, que por meio do projeto Sistema de Transmissão Gralha Azul, está implantando novas linhas de transmissão de energia no estado, necessárias para reforçar o sistema elétrico e melhorar a qualidade da energia que abastece a região Centro-Sul do Paraná. Assim, o projeto contribui para o fortalecimento da economia paranaense, aumentando a produtividade regional e gerando desenvolvimento. “Depois de pronto e integrado ao Sistema Interligado Nacional, o Gralha Azul trará à região a energia gerada através de diferentes fontes, espalhadas pelo Brasil, como PCHs (pequenas hidroelétricas), eólicas, solares, hidrelétricas, em especial energia gerada da Usina de Itaipu, entre outras. Esse suprimento é de fundamental importância especialmente para a região de Ponta Grossa, onde a defasagem dos sistemas de transmissão atuais incorre em problemas de fornecimento para o setor industrial e o agronegócio”, comenta Márcio Daian Neves, diretor de implantação do projeto.

Agora, o sistema de energia no Paraná corre risco novamente, já que, após um ano desde a concessão de suas licenças ambientais e com mais de 60% das obras já realizadas, entidades ambientais iniciaram ações civis públicas contra o modelo de licenciamento do projeto conseguindo suspender parte das obras. O atraso no desenvolvimento não só trará prejuízos para todos os paranaenses, como, também, prejudicará todo o País. “O Sistema de Transmissão Gralha Azul vem tempestivamente demonstrando e comprovando ao Poder Judiciário e à sociedade o cumprimento de todos os procedimentos legais aplicáveis e o seu compromisso com o meio ambiente. O projeto obteve todas as autorizações, licenças e anuências necessárias à sua implantação junto aos órgãos competentes. Além disso, foram acordadas medidas de compensação ambiental e de reposição florestal  para além do previsto em lei, que preveem a aquisição e recuperação de área equivalente ao dobro da impactada pelo projeto, com replantio das espécimes protegidas, sendo, especificamente para a araucária, previsto o plantio de três indivíduos para cada um suprimido. Entretanto, não há interesse desses grupos isolados com a sociedade, mas só com seus ideais”, diz Daian.

Como consequência, o Paraná sobe no ranking dos estados que podem ficar no escuro. “Atualmente, o fato da energia de Itaipu ter que ir até São Paulo e voltar, evidentemente, sobrecarrega mais os sistemas de transmissão existentes. Com isso, ocorrem maiores perdas, que automaticamente, incorrem na necessidade de geração adicional e, como consequência, o custo da distribuição de energia como um todo acaba sendo maior. Como todos os custos acabam sendo repassados ao consumidor, evidentemente que um sistema de transmissão mais confiável e mais descentralizado vai propiciar uma operação mais segura, ou seja, com menores riscos de apagão, menores sobrecargas e, em longo prazo, também menor custo. Além disso, um sistema de transmissão bem interligado, ramificado e descentralizado, como ST Gralha Azul, permite o despacho de fontes renováveis de energia, que têm um menor custo, melhorando a eficiência do Sistema Interligado Nacional como um todo, e em longo o prazo o custo tarifário, para os consumidores”, conclui Daian.

A suspensão do projeto, além dos riscos energéticos, também coloca em risco milhares de empregos atrelados a ele. Segundo o Sindicato da Construção Civil do Paraná, pelo menos 15 mil trabalhadores atuam direta e indiretamente no projeto e tendem a ser demitidos com embargo das obras gerando impactos sócio-econômicos significativos em tempos de pandemia.